Teatro de Marionetas

Maio 2, 2008

O velho monte

Arquivado em: Uncategorized — ponto final @ 3:31 pm
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O por do sol brilhava no velho monte, com as suas mais belas cores. Radiantes vermelhos sangue, florescentes laranja, lindos brancos, todas misturadas numa dança poética sobre a sombra das rochas sinuosas do belo monte, agora florido pela luz matinal.

Do nada todos os suspiros eram para esse monte, de pedra gasta, cinzenta morta, e agora com cores de todos os tipos. Poesias corriam sobre papel, prosas de encantar corriam em lágrimas azuis e pretas.O monte, velho e cansado, abrigava a primavera como nunca o tinha feito, abria ás cores o seu coração, e elas lá ficavam, quentes, seguras…abrigo da alma, assim ele lhe chamava!

Mas os tempos foram evoluindo, e no velho monte casas, negras casas, de velhos ricos, foram construídas e as cores agora tinham mais sombra. Contudo, por entre as pesadas portadas, por entre as velhas telhas, e as folhas das rebuscadas arvores, brilhavam para o monte as luzes do sol na quente manha primaveril.

Mas as casas não ficaram muito tempo assim, e no velho monte foram construídas sumptuosas aberrações, grandes prédios com pesadas estatuas a enfeitar a sua [fake] cultura medieval. E o monte, frio, pálido e gelado não tinha sol para si, ficava suspenso em sombra…e o sol, o belo sol com as suas cores celestiais foram fugindo. Não viam entrada no “acinzentado.negro” solo do velho monte. E partiram. Partiram as cores, partiu o monte e a sua alma, numas ferias algures sem ninguém, num “nunca mais voltar”.

O sol virou-se para longe do velho monte, agora com fábricas de papel, que lançavam pesadas nuvens para o ar, e prédios de longa altura e velha arquitectura que tapavam cores vermelho sangue e laranja florescente. Agora pairava um “cinzento nuvem” no ar, e um “negro sombra” na terra.

E o sol. O belo sol, com as suas luzes partiu, não sem antes dar uma última luz ao velho monte. Luz guardada bem fundo na alma, num sempre sorriso quente.

“Era uma vez”, podia começar assim o conto, mas não começa assim. Porquê? Não sei, mas não começa assim…

“Beijo na testa e sorriso nos lábios”

*

Tintas e Vidas

Arquivado em: Uncategorized — Aleera @ 3:27 pm
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Houve um dia em que me deram tintas para pintar a vida,

Mas eu não entendi e elas acabaram por secar,

Hoje preciso delas e já nem sei o que são cores.

Deixei-me levar pelo sonho

E agora que não sou nada aparte dele,

Visto-me de negro e pinto letras sem sentido que se lhes aponte.

- – – – – – – – – – – -

Já não tenho bem noção das marcas que deixei,

Das cores com que te pintei sem saber que as tinhas.

Estou hoje presa no que te dei,

No que não há de voltar a mim,

Na imagem com que te sonhei,

Na vida onde que te imaginei.

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Agora, de negro gasto pelo tempo,

Relato o caminho para saber que já andei.

Olho a volta sem saber o que de mim sobrou,

Serve-me de alento ao corpo frio

O manto de cores que deixas-te para trás.

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Houve um dia em que voltas-te disposto a ser pintado

Mas fechei-te a porta, por engano.

Mal de mim, prendi-me cá fora,

Tranquei-me em mim sem hipótese de voltar.

Agora olho a preto e branco as cores da tua vida,

Já não lhes pertenço…

Cores ligam com cores e as minhas eu deixei-as secar.

Março 15, 2008

José Mário Branco – FMI

Arquivado em: Uncategorized — ponto final @ 11:23 am
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o verde, o negro e o branco

Arquivado em: Uncategorized — ponto final @ 11:09 am
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A floresta era sombria e o céu ungia-nos do seu mais maquiavélico sorriso. Os passos em direcção ao vento do norte era taciturnos, iam ficando mais fracos a medida que as nossas mãos se iam soltando de uma pesada agonia.


Olhavam em nada sobre um manto verde que cobria tudo a sua volta, parecia um filme de terror rasca, onde do nada uma bruxa parva saia aos berros como se tivesse visto num negro espelho, e os espectadores saltavam após uma quebra doentia com o resto da monotonia. Assim olhava eu, e assim saltava ao menor quebrar de um frágil galho. Muitos se foram partindo, muitos parti sem querer, não queria o barulho deles, mas não conseguia tanto silencio, enfim, a mente é esquisita quando não fala.


No meio desse deserto verde caminhavam em silêncio, um pequeno vento fresco dava pequenos beijos nas suas costas, e lá trocavam olhares, palavras não, nunca fora muito amigo delas, só olhares. Mas logo o vento parava, e o caminho pesado retornava. E continuavam num trocar de passos descoordenados, eu pisando pesadas raízes e contanto estrelas sem as ver, ela envolta de uma sombra, já nem o nome nem a cara conheço. Sei lá…talvez fosse um amigo imaginário. Ou…não isso não era, ainda não!

Os troncos velhos de gerações grandiosas iam encolhendo a estrada. Do nada canções de outras épocas assombravam a minha cabeça, pequenas batalhas que foram carnificinas iam pesando sobre a minha longa espada de fabrico árabe, contudo sempre combateu sobre o punho [infiel] cristão, e eu era sugado para um lamacento chão, mas não queria ir, hoje não!
Ouvia as vozes a cantarem sobre os pesadelos de noites sem fim, ouvia guitarras a partir e teclas de piano a gemer de agonia. Não havia palavras para se dizer, se calhar nunca houve assim tantas, e lá ia andando desta vez sem guião, era ao improviso, eu e a morte, um jogo de xadrez no cimo do monte. Era ela? Talvez, assim fazia sentido….mas ainda não!

Sombrios pesadelos batiam-me com os seus pesados mantos divinos. O bispo foi movido, não vi a jogada…merda! A caminhada já tem um fim sem dúvida, uma mão larga a outra, a floresta abre em fogo e as chamas vão consumindo o meu cabelo, as minhas roupas ardem em tristeza. E a mão não está lá.

Mais um galho que foi quebrado…um final xeque-mate.

O rei caiu.

Novembro 1, 2007

A rua

Arquivado em: Uncategorized — ponto final @ 8:25 pm

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Chovia. Chovia mais que muito naquela rua, e era fria, gelada como a neve. Duas almas errantes estavam ali, debaixo do seu ardente poder. Separadas por uma rua, olhavam por entre os carros que deslizavam pelo alcatrão sujo e bolorento, já ressequido de tanto azar ali a acontecer. As duas estavam à chuva, na eterna noite já congelada e tardia, cada uma num lado da rua, cada uma num lado da razão louca.

Chovia água feita de pedra, que doía ao bater. Magoa tanto. Chove por todo o lado, arde tanto. Olhavam numa sincronia louca, sempre que um tocava nos olhos do outro, esse outro desviava o olhar para o chão, mas pelo canto do olho nada lhe escapava, nada lhe fugia, por entre contagens infinitas de carros soltam-se vários “AMO-TE”, sem que a boca seja aberta, só a mente berra.

Na rua os carros passavam numa velocidade mortal, sem medo, sem parar. De dentro de uma alma nasce uma súplica, uma razão, um lamento. Olha em frente, cruzam-se os olhares. “Quero-te”, berra a alma errante, já sem erro ou qualquer erro de fala. Dá um passo em frente, começa a correr.Os carros travam, guinam os travões levados ao máximo. É o caos. De longe alguém grita, “chamem o 112”. As almas olham-se, trocam um olhar.

Chove tanto!

 

[talvez] a continuar!

Agosto 18, 2007

Marionetas

Arquivado em: Uncategorized — ponto final @ 12:59 pm

De fios entrelaçados, cantamos histórias de pequenos bonecos, actores principais feitos de madeira, a representar num palco de cartão velho, colorido de mil cores e formatos, pintado e esculpido pelo velho senhor.

Seguramos 5 fios numa mão e uma caneta noutra. Um bem-haja a este novo “café da alma”.

Tomem os vossos lugares, o teatro das marionetas, esta prestes a começar!

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