O por do sol brilhava no velho monte, com as suas mais belas cores. Radiantes vermelhos sangue, florescentes laranja, lindos brancos, todas misturadas numa dança poética sobre a sombra das rochas sinuosas do belo monte, agora florido pela luz matinal.
Do nada todos os suspiros eram para esse monte, de pedra gasta, cinzenta morta, e agora com cores de todos os tipos. Poesias corriam sobre papel, prosas de encantar corriam em lágrimas azuis e pretas.O monte, velho e cansado, abrigava a primavera como nunca o tinha feito, abria ás cores o seu coração, e elas lá ficavam, quentes, seguras…abrigo da alma, assim ele lhe chamava!
Mas os tempos foram evoluindo, e no velho monte casas, negras casas, de velhos ricos, foram construídas e as cores agora tinham mais sombra. Contudo, por entre as pesadas portadas, por entre as velhas telhas, e as folhas das rebuscadas arvores, brilhavam para o monte as luzes do sol na quente manha primaveril.
Mas as casas não ficaram muito tempo assim, e no velho monte foram construídas sumptuosas aberrações, grandes prédios com pesadas estatuas a enfeitar a sua [fake] cultura medieval. E o monte, frio, pálido e gelado não tinha sol para si, ficava suspenso em sombra…e o sol, o belo sol com as suas cores celestiais foram fugindo. Não viam entrada no “acinzentado.negro” solo do velho monte. E partiram. Partiram as cores, partiu o monte e a sua alma, numas ferias algures sem ninguém, num “nunca mais voltar”.
O sol virou-se para longe do velho monte, agora com fábricas de papel, que lançavam pesadas nuvens para o ar, e prédios de longa altura e velha arquitectura que tapavam cores vermelho sangue e laranja florescente. Agora pairava um “cinzento nuvem” no ar, e um “negro sombra” na terra.
E o sol. O belo sol, com as suas luzes partiu, não sem antes dar uma última luz ao velho monte. Luz guardada bem fundo na alma, num sempre sorriso quente.
“Era uma vez”, podia começar assim o conto, mas não começa assim. Porquê? Não sei, mas não começa assim…
“Beijo na testa e sorriso nos lábios”
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